Eleições no Reino Unido

<em>Labour</em> em queda

O Partido Nacional Escocês (SNP), formação que desde há décadas reclama a independência da Escócia, venceu as eleições para o parlamento local, realizadas na sexta-feira, 4.

Tra­ba­lhistas mantêm ten­dência de de­clínio elei­toral

Embora pela curta margem de um deputado, os independentistas relegaram para segundo plano os trabalhistas britânicos, elegendo 47 representantes, mais 20 do que no último escrutínio regional de 2003, num total de 129.
Depois de 50 anos de supremacia na Escócia, a derrota do Labour, que perdeu quatro assentos reduzindo a sua bancada para 46 deputados, poderá significar também o princípio do fim do Reino Unido.
O líder nacionalista, Alex Salmond, declarou à BBC que iniciará de imediato consultas com vista à formação de um governo, reafirmando que a questão da autodeterminação está no topo da agenda política, esperando «uma Escócia independente para 2011».
Contudo, a necessidade de fazer alianças para constituir governo poderá retardar o calendário do SNP, já que não será fácil parceiros dispostos a partilhar tal fervor independentista.
A este propósito, Menzis Campbell, líder dos Liberais Democratas, que elegeram 16 deputados, atrás dos conservadores com 17, foi claro ao advertir que o seu partido é contra a independência da Escócia. As sondagens também indicam que apenas entre 25 a 30 por cento da população são favoráveis à separação, o que desaconselha a realização de um referendo.
De resto, o voto dos escoceses no SNP não pode ser desligado da tendência de declínio eleitoral que o partido de Tony Blair voltou a confirmar em todo o país, nestas eleições regionais.
A condução de uma guerra injusta contra o Iraque, a renovação do programa nuclear Trident instalado na Escócia, o escândalo dos financiamentos ao partido trabalhista, a troco de cargos honoríficos, entre outros, minaram a popularidade do primeiro-ministro, cuja saída do governo deverá em breve ser anunciada.

Blair op­ti­mista

Todavia, Blair não se mostrou desagradado com o resultado, vangloriando-se até de que «toda a gente previa uma razia, mas tal não se aconteceu». De facto, os trabalhistas ainda flutuam, mas já muito abaixo da linha de água.
A vitória que obtiveram no País de Gales tem o sabor da derrota, uma vez que a perda de três deputados retirou-lhes a maioria absoluta e agora têm de procurar parceiro para governar em Cardif.
Na própria Inglaterra, onde apenas se realizaram eleições municipais, os trabalhistas averbaram enorme um fracasso ao perder 485 eleitos locais e nove munícipios, enquanto os conservadores ganharam 875 num total de mais de 10 mil lugares em disputa.
Neste quadro, só mesmo o optimismo cândido de um Tony Blair demissionário pode afirmar que o sufrágio de quinta-feira constituiu «um trampolim perfeitamente bom» para que o Labour volte a ganhar as eleições gerais dentro de dois anos.


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